O poder da verdade na luta contra o aborto.

Ultimamente tenho pensado muito na realidade de que nós como Cristãos devemos procurar ser defensores da verdade. E como verdade, eu quero dizer as leis e princípios relacionados à realidade, seja ela física, moral ou espiritual. Assim como a Lei da Gravidade que é uma lei física inquebrável, há leis morais e espirituais que não podem ser quebradas. Esta semana vi um exemplo claro sobre como a verdade alcançou um dos maiores defensores da legalização do aborto nos EUA, que depois se tornou um dos maiores defensores da vida de bebês no ventre materno, Dr. Bernard Nathanson. Jesus, em João 8:32 disse “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” – eu acredito que a verdade liberta, não importa em que área da vida. Eis abaixo um trecho traduzido da incrível história deste homem.  O artigo é um pouco longo, mas vale muito a pena.

———————————————————-

Veja artigo na íntegra em inglês: http://www.thepublicdiscourse.com/2011/02/2806

“Um homem que fez uma carreira em mortes e mentiras se tornou um herói em favor da vida e verdade.”

Bernard Nathanson: uma Vida transformada pela Verdade

Por Robert P. George

27 de fevereiro, 2011.

(…)

Poucos fizezam, se é que houve alguém à altura, mais do que Bernard Nathanson para destruir o direito à vida das crianças no ventre materno , transformando-o de um crime inimaginável em uma liberdade protegida pela constituição americana. Algum dia, quando a nossa lei for reformada para honrar a dignidade e proteger o direito à vida de todo membro da família humana, inclusive crianças no ventre, historiadores observarão que poucos fizeram mais do que Bernarda Nathanson para conseguir esta reversão.

Dr. Nathanson, teve seu primeiro envolvimento com o aborto quando era aluno de medicina em Montreal. Ao engravidar uma namorada, ele providenciou e pagou por seu aborto ilegal. Muitos anos depois, ele descreveu este episódio como sua “excursão introdutória ao mundo satânico do aborto”.

No meio tempo, Nathanson se tornaria um grande defensor do aborto.

Ele estima que sob sua presidencia na clínica (Center for Reproductive and Sexual Health), mais de 60 mil abortos foram feitos. Ele instruiu pessoalmente alunos de medicina e médicos sobre outros 15 mil e realizou pessoalmente 5 mil abortos. Num destes, ele tirou a vida de seu próprio filho ou filha  -um bebê concebido com uma namorada depois de se formar como médico. Escrevendo com grande dor em sua autobiografia “The Hand of God” (1996; “A mão de Deus”, em português), Nathanson confessa sua própria falta de coração no aborto: “Eu juro que eu não tive nenhum sentimento a não ser o de realização, o orgulho de ser um expert”.

(…)

Nos anos 60, Nathan se tornou  um líder do movimento para derrubar leis que proibiam o aborto. Ele foi co-fundador da National Abortion Rights Action League (NARAL) que agora é a NARAL Pro-Choice America. Seu objetivo era derrubar o estigma cultural sobre o aborto e eliminar todas as restrições legais e torná-la mais disponível possível pelos EUA e pelo mundo.

Para tal objetivo, ele e companheiros utilizaram de recursos dúbios e em alguns casos estratégias ousadamente desonestas.

Primeiro, promoveram a idéia que o aborto é apenas uma questão de saúde pública e não moral. Para isto, eles precisavam convencer as pessoas da óbvia mentira que uma gravidez normal é uma condição natural e saudável se a mãe deseja ter seu bebê, mas uma doença se ela não o deseja. O objetivo geral da medicina que era “manter e restaurar a saúde” teria que ser refeito para “dar aos consumidores de cuidados médicos o que eles desejam”. Ao final, Nathanson conseguiu influenciar a Suprema Corte americana a invalidar todas as leis estaduais que provinham proteção aos fetos, baseado no argumento de que o aborto é uma “escolha particular” que deve ser feita pela mulher e seus médicos.

Em segundo lugar, Nathanson e seus amigos mentiram indiscriminadamente sobre o número de mulheres mortas anualmente com abortos ilegais. Seu argumento era que as mulheres vão buscar o aborto na mesma medida seja ele legal ou não. O único efeito de torná-lo ilegal, eles diziam, era deixar as mulheres grávidas à mercê de médicos desqualificados e frequentemente desumanos, “açougueiros de fundo de quintal”. Então eles insistiam que as leis contra o aborto são piores que fúteis: eles não salvam as vidas dos fetos, apenas custam a vida das mulheres.

Sim é verdade que algumas mulheres morreram de abortos ilegais, mas há outros fatores além da legalização, especialmente o desenvolvimento de antibióticos como a penicilina, que são os maiores responsáveis pela redução do número de mortes maternais. E, é claro, o número de fetos que tiveram suas vidas tiradas aumentaram dramaticamente após Nathanson e seus colegas cumprirem seus objetivos; Em parte, eles conseguiram inflando o número em até dez vezes mais do que realmente era.

Em terceiro lugar, os primeiros advogados do aborto deliberadamente cultivavam um ânimo anti-católico entre as elites liberais e (naquela época) muitos protestantes comuns para colocar a oposição ao aborto como um “dogma religioso” que a hierarquia Católica procurava impor sobre os outros para violar a sua liberdade e a separação entre igreja e Estado. Ele reconheceu que seu movimento precisava de um inimigo – um instituição passível de suspeitas que poderia ser o rosto público da oposição; uma minoria, mas uma grande o suficiente para ser temida.

Apesar do inegável fato histórico de que as leis anti-aborto eram arraigadas na lei britânica e foram reforçadas pela grande maioria protestante do século 19, Nathanson e seus colegas decidiram que a Igreja Católica era perfeita para o papel de opressora da liberdade. Sua liderança masculina e sua estrutura de autoridade fez deles um alvo fácil: eles insistiam que o verdadeiro motivo da oposição da igreja era restringir a liberdade da mulher para mantê-las numa posição de subserviência.

Em quarto lugar, o movimento pró-aborto buscava apelar aos conservadores e liberais americanos que o feticídio era uma forma de lutar contra a pobreza. Porque há tantas pessoas pobres? Porque eles tem mais filhos que podem sustentar. Qual a solução? O aborto. Porque temos que gastar tanto dinheiro em assistência social? Porque os pobres, estão colocando um fardo enorme nos contribuíntes com muitos bebês. Qual a solução? O aborto. Inicialmente, Nathanson acreditava que o aborto ilegau e seu incentivo público reduziriam o indice de gravidez fora do casamento e a pobreza, apesar de (conforme ele confessou depois) ele continuar a promover essa mentira após as evidências mostrarem o oposto.

Nathanson no entanto começou a ter dúvidas morais sobre a causa que ele fora tão devoto. Numa pesquisa em 1974 para o England Journal of Medicine, ele revela crescentes dúvidas sobre o dogma dos “pró-escolha” de que o aborto era meramente a remoção de uma “massa indiferenciada de células”, ao invés da morte de um ser humano em desenvolvimento.

(…)

Com o passar dos anos, ele ficou mais convencido, especialmente com o surgimento de novas tecnologias como a fetoscopia e o ultra-som, que fez com que se tornassse extremamente difícil e finalmente impossível, negar que o aborto é o assassinato deliberado de um ser humano único – uma criança no ventre.

Nos anos 80, o peso da evidência o levou à posição de “pró-vida” e o afastou da prática do aborto. (…) Logo ele assumiu a luta contra o aborto, revelando as mentiras que ele e seus colegas do movimento pró-aborto usaram para quebrar a oposição pública. Nathanson é o produtor do filme documenttário “O Grito Silencioso”, que filma em detalhes gráficos o assassinato de um feto de doze semanas num aborto por sucção. Num momento do filme, o bebê recua do instrumento sirurgico e abre sua boca: “Este é o grito silencioso de um bebê ameaçado com a extinção eminente.” – Narra Nathanson no filme.

Apesar de ser tornar “Pró-vida”, Nathanson continuou ateu. Seus argumentos contra o aborto não eram religiosos, eram baseados em fatos científicos e princípios amplamente aceitos dos direitos e dignidade de um ser humano. Com o passar dos anos, Nathanson vagarosamente se converteu ao Catolicismo através do testemunho moral de cristãos colegas de sua causa pelos não-nascidos.

(…)

Ele não se converteu ao cristianismo e depois assumiu uma postura “pró-vida”, ao contrário, ele se persuadiu da verdade da posição pró-vida e aos poucos se converteu por causa do testemunho da igreja.

(…)

Há duas coisas, dentre muitas, que podem ser destacadas do testemunho de vida de Bernard Nathanson:

Primeiramente, o poder luminoso da verdade. Conforme eu já disse, o edifício do aborto é construído num fundamento de mentiras. Nathanson contou essas mentiras e ajudou a formulá-las. Mas outros testemunharam da verdade e quando ele foi exposto ao seu testemunho ousado e auto-sacrificial, a verdade venceu a escuridão em seu coração e o convenceu no tribunal de sua própria consciência.

(…)

Uma vez durante um painel na Universidade de Princetom, perguntaram-lhe: “Quando estava promovendo o aborto, você estava disposto a mentir em favor do que você considerava uma boa causa. Agora que você está do lado da causa da vida, você estaria disposto a mentir para salvar bebês?” “Não, eu não mentiria, mesmo que fosse para salver bebês (…), eu me converti à causa da verdade somente por causa da verdade. É por isso que eu não mentiria mesmo por uma boa causa.”

A segunda lição é esta: O movimento pró-vida não tem nenhum inimigo para destruir. As armas que devem ser usadas são as do espírito: verdade e amor. Nosso objetivo não é derrotar nossos oponentes, mas ganhá-los para a causa da vida.  Devemos nos opor à cultura e à política da morte com determinação para ganhar, mas não há ninguém que o coração seja tão duro que não possa ser ganho.

Robert P. George é Professor de Jurisprudência e diretor da James Institutions e Universidade de Princeton.

 

Anúncios

~ por renatowong em 13/03/2011.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: