Fundação Casa – um breve relato.

•30/04/2011 • Deixe um Comentário

“Porquê vocês vem aqui? Como se sentem?” – foi uma das perguntas mais sinceras que já me fizeram. Depois de cerca de um ano fazendo parte das visitas semanais à Fundação CASA e conversando com os garotos sobre amor, generosidade, perdão, pecado, sobre mudança de vida, sobre Deus, sobre a responsabilidade que cada um tem sobre sua vida, os frutos são difíceis de ver; O que percebemos é que os funcionários tem um respeito crescente por nós e que os garotos estão se abrindo aos poucos.

“É impossível perdoar aqui dentro, é impossível amar aqui dentro” – afirmou um deles quando compartilhávamos sobre amor e perdão. Respostas como estas a princípio parecem ser um grande balde de água fria. Mas não são, muito pelo contrário! Respostas como estas mostram que eles estão perdendo o receio de falar o que pensam, o que sentem e que estão pensando sobre o que estamos falando.

Para nossa surpresa, (ou não) muitos, para não dizer a maioria, já foram a igrejas evangélicas e conhecem os “hits” evangélicos do Irmão Lázaro, Trazendo a Arca, etc, mais do que nós mesmos. E provavelmente boa parte destes já “aceitaram a Jesus” em apelos de púlpito. O que faltou? Suspeito de algumas coisas, entre elas o discipulado, mas minhas indagações a este respeito acabam aqui.

No mesmo dia em que perguntaram “porque vocês vem aqui?”, nos falaram que a sociedade não acredita neles, que eles saem de lá e são mal vistos por todos. Explicamos que somos a parte da sociedade que acredita SIM neles, que eles podem mudar de vida, que eles tem esperança,  sempre apontando que esta esperança é fundamentada em Deus e Cristo. O Evangelho consiste em trazer luz aonde há trevas, a verdade aonde há mentira. Trazemos a verdade para eles, que todos nós pecamos e que eles tem jeito sim, assim como nós temos jeito.

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” – João 8:32 – Que a verdade que nos liberta, possa libertar a eles também, e que o Cristo seja visto em nós, apesar de nossas muitas imperfeições, pecados e preconceitos.

Os países mais pobres do mundo são os desenvolvidos, seguidos dos emergentes.

•25/04/2011 • Deixe um Comentário

Não importa o tamnho do PIB, seremos os mais pobres dos pobres.

Recentemente, uma matéria no New York times sobre o bairro mais probre dos EUA me chamou a atenção: é uma comunidade peculiar, pois a maioria segue uma seita judaica denominada Satmar; A reportagem não se aprofunda neste sentido, mas destaco a conclusão da matéria para discordar com a afirmação de que esta é a comunidade mais pobre dos EUA “Aqui também não há programas de tratamento para drogas, nenhum programa contra a delinquência juvenil, não estamos entupindo nosso sistema judicial com casos criminais, não temos programas para a Aids ou a gravidez adolescente” – afirma o administrador da comunidade.

(veja reportagem na íntegra aqui) (em inglês, aqui)

Imediatamente me lembrei do que disse Madre Teresa quando visitou a “Big Apple”, Nova Yorque, que nunca visitara um lugar tão pobre em toda sua vida (vale lembrar que ela trabalhava com leprosso em Calcutá, Índia). Porque esta comunidade não tem problemas com drogas, nenhum indigente nas ruas, casos criminais, gravidez adolescente? A resposta, o NYT não dá, mas acredito que está relacionado com o que o jornal descreve despretenciosamente sobre eles: “As mães raramente trabalham fora do lar enquanto seus filhos são pequenos”; Enquanto os pais “modernos e ricos” de nosso mundo abandonam seus filhos nas mãos de babás mal pagas para poderem trabalhar e serem mais “ricos”, esta “pobre comunidade” tem um cuidado especial com seus filhos.

Outro fator interessante: a comunidade possui uma tradição de filantropia e empréstimos sem juros. Valores como estes inseridos na comunidade ajudam os mais pobres a saírem da miséria e gera mais amor, comunhão e amizade entre a comunidade. Será que a crescente onda de violência não está relacionada ao aumento nos divórcios, das mães solteiras, e dos pais que abriram mão de criar seus filhos para poderem manter o padrão de consumo elevado que eles tinham antes de ter filhos? Será que a pobreza não tem nenhuma relação com a ganância dos bancos, do governo e da falta de filantropia na comunidade? Eu duvido.

Enquanto não aprendermos a priorizarmos nossos filhos e casamentos, nossas famílias, acima de nossas vontades egoístas, de nossos sonhos de consumo, seremos cada vez mais países cheios de poder de consumo nas mãos mas com famílias disfuncionais, feridas e comunidades violentas, com indigentes, narcodependentes e corrupção. Enquanto não tivermos comunidades que pratiquem a filantropia e que sejam menos gananciosas,  menos injustas em suas transaçòes (c/ juros mais baixos e preços mais justos), os pobres não terão para onde correr e isso também aumenta a criminalidade, indigência, etc.

Não importa o tamnho do PIB, seremos os mais pobres dos pobres.

Ode à mentira!

•01/04/2011 • 2 comentários

Feliz dia da mentira! Pra falar a verdade, deveria ser um dia de luto. Por toda a destruição que a mentira gera.

A mentira que o lucro é mais importante que vidas, graças a ela, a indústria farmacêutica produz remédios que servem apenas para a manutenção da dor e não para curar doenças; Ocultam até a cura para o câncer: ouvi da boca de um Doutor em Genética da USP que a cura já foi descoberta através das células-tronco, mas não se divulga porque o preço de um remédio para quimioterapia chega a custar R$8 mil reais. Quantas pessoas morreram por não ter condições para pagar? A indústria petrolífera compra todas as tecnologias limpas e renováveis para carros e os engaveta para poder continuar escravizando o mundo com seu precioso petróleo. Sem contar os inúmeros embates e resistência para cumprir o Protocolo de Kioto, o controle de emissão de gases poluentes e o desmatamento, tudo em favor do lucro. Estupramos a terra em troca de dinheiro.

A mentira que o valor de uma pessoa é determinada pelo que ela é capaz de produzir. Graças a esta mentira, os idosos e deficientes e até mesmo a população carcerária são abandonados nos asilos, hospitais, clinicas e penitenciárias, alguns em situações sub-humanas e outros nunca recebem visita dos familiares ou amigos. Sem contar os milhões de bebês que são assassinados no ventre de suas mães a cada ano por causa de “condições financeiras”, ou por serem diagnosticados com alguma doença.

A mentira que o Cristianismo possui um Deus que é subornável: dê dinheiro e Deus te abençoará, faça isso e Deus te abençoará; Princípios doentios completamente opostos ao conceito de Amor e Graça: o bem deve ser feito de forma pró-ativa e não por medo que um raio caia sobre nossas cabeças. Quantas pessoas desistiram de igrejas e se entregaram às drogas por nunca terem se encontrado com o Deus Justo, mas de Amor e Graça da Bíblia.

A mentira que o papel de educar é do governo e da escola. Graças a esta mentira, nesse momento os filhos do Brasil estão sendo discipulados por uma ditadura humanista, que é fechada ao debate, relativisa tudo e prepara o aluno simplesmente para “gerar lucro” ou ser um “bom funcionário”, ao invés de prepará-lo a usar seus dons na vocação que lhe melhor cabe no serviço à sociedade. Isso sem mencionar a omissão dos pais, que diante da rebeldia de seus filhos, os largam nas mãos dos professores e os responsabilizam por qualquer desvio de personalidade.

A mentira que a estética e a moda impoem com padrões de beleza completamente irreais e falsos, sem um bom software de edição de imagens, esses verdadeiros ET’s nunca poderiam ser criados.  Graças a esta mentira, milhares de mulheres e homens têm problemas com auto-estima e condições psicológicas auto-destrutivas: compulsividades, disturbios alimentares, depressão e até suicídio.

A mentira que a mulher é inferior ou superior ao homem; Quantas mulheres são vítimas de violência doméstica? E quanto às 9 milhões de mulheres que estão faltando na Ásia?  O turismo sexual, pornografia, rebaixando a mulher a um mero objeto de desejo, a um “sonho de consumo”, sem contar os casamentos destruídos pela não compreensão do papel de cada conjuge, os dois num patamar de igualdade, mas com papeis diferentes.

Vamos divulgar a VERDADE:

– Pessoas tem mais valor que tudo na vida;

– O valor de um indivíduo não está na sua capacidade de produzir, mas na sua identidade única, demonstrada biológicamente até nas suas impressões digitais exclusivas;

– O Deus do Cristianismo é um Deus de Graça e Amor, que nos ama incondicionalmente, independente do que façamos ou deixemos de fazer: nossas atitudes são consequência da nossa compreensão ou não deste amor;

– A responsabilidade da educação é dos pais e estes devem ter a liberdade para educar seus filhos com valores cristãos, humanistas, muçulmanos, etc; O tempo mostrará quais serão as pessoas mais bem formadas em seu caráter e vocação.

– A estética e a moda deveriam servir ao cuidado do corpo e mostrar como embelezar uma pessoa sem que essa se torne escrava de práticas e produtos que mais fazem mal do que bem.

– Quando Deus criou o homem, ali diz “homem e mulher os criou”; ambos à Sua imagem e semelhança. O homem expressa algumas facetas de Deus e a mulher expressa outras. Deus é o Protetor, mas também é o Provedor, que alimenta.

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” – Jesus, no Evangelho de João 8:32; Jesus é o cara, to com Ele e não abro!

– Renato Wong.

(to be continued)

O poder da verdade na luta contra o aborto.

•13/03/2011 • Deixe um Comentário

Ultimamente tenho pensado muito na realidade de que nós como Cristãos devemos procurar ser defensores da verdade. E como verdade, eu quero dizer as leis e princípios relacionados à realidade, seja ela física, moral ou espiritual. Assim como a Lei da Gravidade que é uma lei física inquebrável, há leis morais e espirituais que não podem ser quebradas. Esta semana vi um exemplo claro sobre como a verdade alcançou um dos maiores defensores da legalização do aborto nos EUA, que depois se tornou um dos maiores defensores da vida de bebês no ventre materno, Dr. Bernard Nathanson. Jesus, em João 8:32 disse “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” – eu acredito que a verdade liberta, não importa em que área da vida. Eis abaixo um trecho traduzido da incrível história deste homem.  O artigo é um pouco longo, mas vale muito a pena.

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Veja artigo na íntegra em inglês: http://www.thepublicdiscourse.com/2011/02/2806

“Um homem que fez uma carreira em mortes e mentiras se tornou um herói em favor da vida e verdade.”

Bernard Nathanson: uma Vida transformada pela Verdade

Por Robert P. George

27 de fevereiro, 2011.

(…)

Poucos fizezam, se é que houve alguém à altura, mais do que Bernard Nathanson para destruir o direito à vida das crianças no ventre materno , transformando-o de um crime inimaginável em uma liberdade protegida pela constituição americana. Algum dia, quando a nossa lei for reformada para honrar a dignidade e proteger o direito à vida de todo membro da família humana, inclusive crianças no ventre, historiadores observarão que poucos fizeram mais do que Bernarda Nathanson para conseguir esta reversão.

Dr. Nathanson, teve seu primeiro envolvimento com o aborto quando era aluno de medicina em Montreal. Ao engravidar uma namorada, ele providenciou e pagou por seu aborto ilegal. Muitos anos depois, ele descreveu este episódio como sua “excursão introdutória ao mundo satânico do aborto”.

No meio tempo, Nathanson se tornaria um grande defensor do aborto.

Ele estima que sob sua presidencia na clínica (Center for Reproductive and Sexual Health), mais de 60 mil abortos foram feitos. Ele instruiu pessoalmente alunos de medicina e médicos sobre outros 15 mil e realizou pessoalmente 5 mil abortos. Num destes, ele tirou a vida de seu próprio filho ou filha  -um bebê concebido com uma namorada depois de se formar como médico. Escrevendo com grande dor em sua autobiografia “The Hand of God” (1996; “A mão de Deus”, em português), Nathanson confessa sua própria falta de coração no aborto: “Eu juro que eu não tive nenhum sentimento a não ser o de realização, o orgulho de ser um expert”.

(…)

Nos anos 60, Nathan se tornou  um líder do movimento para derrubar leis que proibiam o aborto. Ele foi co-fundador da National Abortion Rights Action League (NARAL) que agora é a NARAL Pro-Choice America. Seu objetivo era derrubar o estigma cultural sobre o aborto e eliminar todas as restrições legais e torná-la mais disponível possível pelos EUA e pelo mundo.

Para tal objetivo, ele e companheiros utilizaram de recursos dúbios e em alguns casos estratégias ousadamente desonestas.

Primeiro, promoveram a idéia que o aborto é apenas uma questão de saúde pública e não moral. Para isto, eles precisavam convencer as pessoas da óbvia mentira que uma gravidez normal é uma condição natural e saudável se a mãe deseja ter seu bebê, mas uma doença se ela não o deseja. O objetivo geral da medicina que era “manter e restaurar a saúde” teria que ser refeito para “dar aos consumidores de cuidados médicos o que eles desejam”. Ao final, Nathanson conseguiu influenciar a Suprema Corte americana a invalidar todas as leis estaduais que provinham proteção aos fetos, baseado no argumento de que o aborto é uma “escolha particular” que deve ser feita pela mulher e seus médicos.

Em segundo lugar, Nathanson e seus amigos mentiram indiscriminadamente sobre o número de mulheres mortas anualmente com abortos ilegais. Seu argumento era que as mulheres vão buscar o aborto na mesma medida seja ele legal ou não. O único efeito de torná-lo ilegal, eles diziam, era deixar as mulheres grávidas à mercê de médicos desqualificados e frequentemente desumanos, “açougueiros de fundo de quintal”. Então eles insistiam que as leis contra o aborto são piores que fúteis: eles não salvam as vidas dos fetos, apenas custam a vida das mulheres.

Sim é verdade que algumas mulheres morreram de abortos ilegais, mas há outros fatores além da legalização, especialmente o desenvolvimento de antibióticos como a penicilina, que são os maiores responsáveis pela redução do número de mortes maternais. E, é claro, o número de fetos que tiveram suas vidas tiradas aumentaram dramaticamente após Nathanson e seus colegas cumprirem seus objetivos; Em parte, eles conseguiram inflando o número em até dez vezes mais do que realmente era.

Em terceiro lugar, os primeiros advogados do aborto deliberadamente cultivavam um ânimo anti-católico entre as elites liberais e (naquela época) muitos protestantes comuns para colocar a oposição ao aborto como um “dogma religioso” que a hierarquia Católica procurava impor sobre os outros para violar a sua liberdade e a separação entre igreja e Estado. Ele reconheceu que seu movimento precisava de um inimigo – um instituição passível de suspeitas que poderia ser o rosto público da oposição; uma minoria, mas uma grande o suficiente para ser temida.

Apesar do inegável fato histórico de que as leis anti-aborto eram arraigadas na lei britânica e foram reforçadas pela grande maioria protestante do século 19, Nathanson e seus colegas decidiram que a Igreja Católica era perfeita para o papel de opressora da liberdade. Sua liderança masculina e sua estrutura de autoridade fez deles um alvo fácil: eles insistiam que o verdadeiro motivo da oposição da igreja era restringir a liberdade da mulher para mantê-las numa posição de subserviência.

Em quarto lugar, o movimento pró-aborto buscava apelar aos conservadores e liberais americanos que o feticídio era uma forma de lutar contra a pobreza. Porque há tantas pessoas pobres? Porque eles tem mais filhos que podem sustentar. Qual a solução? O aborto. Porque temos que gastar tanto dinheiro em assistência social? Porque os pobres, estão colocando um fardo enorme nos contribuíntes com muitos bebês. Qual a solução? O aborto. Inicialmente, Nathanson acreditava que o aborto ilegau e seu incentivo público reduziriam o indice de gravidez fora do casamento e a pobreza, apesar de (conforme ele confessou depois) ele continuar a promover essa mentira após as evidências mostrarem o oposto.

Nathanson no entanto começou a ter dúvidas morais sobre a causa que ele fora tão devoto. Numa pesquisa em 1974 para o England Journal of Medicine, ele revela crescentes dúvidas sobre o dogma dos “pró-escolha” de que o aborto era meramente a remoção de uma “massa indiferenciada de células”, ao invés da morte de um ser humano em desenvolvimento.

(…)

Com o passar dos anos, ele ficou mais convencido, especialmente com o surgimento de novas tecnologias como a fetoscopia e o ultra-som, que fez com que se tornassse extremamente difícil e finalmente impossível, negar que o aborto é o assassinato deliberado de um ser humano único – uma criança no ventre.

Nos anos 80, o peso da evidência o levou à posição de “pró-vida” e o afastou da prática do aborto. (…) Logo ele assumiu a luta contra o aborto, revelando as mentiras que ele e seus colegas do movimento pró-aborto usaram para quebrar a oposição pública. Nathanson é o produtor do filme documenttário “O Grito Silencioso”, que filma em detalhes gráficos o assassinato de um feto de doze semanas num aborto por sucção. Num momento do filme, o bebê recua do instrumento sirurgico e abre sua boca: “Este é o grito silencioso de um bebê ameaçado com a extinção eminente.” – Narra Nathanson no filme.

Apesar de ser tornar “Pró-vida”, Nathanson continuou ateu. Seus argumentos contra o aborto não eram religiosos, eram baseados em fatos científicos e princípios amplamente aceitos dos direitos e dignidade de um ser humano. Com o passar dos anos, Nathanson vagarosamente se converteu ao Catolicismo através do testemunho moral de cristãos colegas de sua causa pelos não-nascidos.

(…)

Ele não se converteu ao cristianismo e depois assumiu uma postura “pró-vida”, ao contrário, ele se persuadiu da verdade da posição pró-vida e aos poucos se converteu por causa do testemunho da igreja.

(…)

Há duas coisas, dentre muitas, que podem ser destacadas do testemunho de vida de Bernard Nathanson:

Primeiramente, o poder luminoso da verdade. Conforme eu já disse, o edifício do aborto é construído num fundamento de mentiras. Nathanson contou essas mentiras e ajudou a formulá-las. Mas outros testemunharam da verdade e quando ele foi exposto ao seu testemunho ousado e auto-sacrificial, a verdade venceu a escuridão em seu coração e o convenceu no tribunal de sua própria consciência.

(…)

Uma vez durante um painel na Universidade de Princetom, perguntaram-lhe: “Quando estava promovendo o aborto, você estava disposto a mentir em favor do que você considerava uma boa causa. Agora que você está do lado da causa da vida, você estaria disposto a mentir para salvar bebês?” “Não, eu não mentiria, mesmo que fosse para salver bebês (…), eu me converti à causa da verdade somente por causa da verdade. É por isso que eu não mentiria mesmo por uma boa causa.”

A segunda lição é esta: O movimento pró-vida não tem nenhum inimigo para destruir. As armas que devem ser usadas são as do espírito: verdade e amor. Nosso objetivo não é derrotar nossos oponentes, mas ganhá-los para a causa da vida.  Devemos nos opor à cultura e à política da morte com determinação para ganhar, mas não há ninguém que o coração seja tão duro que não possa ser ganho.

Robert P. George é Professor de Jurisprudência e diretor da James Institutions e Universidade de Princeton.

 

Será que a história vai se repetir? Wiliam Carey no séc. 18

•06/02/2010 • Deixe um Comentário

Carey traduziu bíblias, assumiu uma cadeira numa universidade, fundou uma gráfica e até um instituto de agricultura na Índia.

Terminei de ler o livro “Fiel Testemunha: Vida e Obra de Wiliam Carey”; Carey é considerado o pai das missões modernas; Uma pessoa que voltou os holofotes das igrejas à sua causa primária: “ir a todo o mundo e pregar o evangelho / fazer discípulos de todas as nações.”. As igrejas à época estavam preocupadas demais com seus próprios problemas para pensarem em missões em países fora da europa. A mera menção a isto era tratado com recriminação e quase como uma heresia por muitos pastores e bispos!

Paralelamente a isso, a Compania das Índias Orientais, na busca por lucro através do comércio, enfrentou mares, ousou se inserir em países estranhos, perigosos e de língua desconhecida, tudo em nome do lucro e do deus do modernismo: manom. O tempo passa, mas o homem em sua pecaminosidade não muda… e hoje as coisas são parecidas. Infelizmente o dinheiro vale mais do que a alma de uma pessoa, que ao contrário do dinheiro, é eterna e dura para sempre. A partir daí, dá-se vazão a latrocínios, corrupção, abortos e abusos. Afinal o que vale para manom é que todos se sintam bem e felizes, não importando os meios para conseguir esta felicidade e paz.  Muitos comerciantes navegadores iam a estes países se dizendo “cristãos”… e davam vergonha à causa do Evangelho com seus abusos, corrupção e lascívia… e eu me pergunto.. será que as coisas são tão diferentes hoje? …acho que não!

Por fim, a ousadia e insistência de Carey o levou à Índia e levantou um mover na igreja de novos missionários sendo enviados aos quatro cantos do planeta. Antes que tudo isso acontecesse, há anos orava-se por um avivamento na igreja… e pessoas como John Wesley, Jonathan Edwards e David Brainerd haviam “semeado” este mover. Talvez esteja na hora de um novo avivamento!

O Calvinismo que poucos conhecem…

•27/01/2010 • Deixe um Comentário

Genebra foi cidade modelo para a sociedade ocidental; Resultado da influência de Calvino.

Atualmente, nos círculos cristãos, principalmente (pra não dizer praticamente, rs) os históricos, é comum encontrar pessoas afirmando serem calvinistas. Mas, o que estas pessoas realmente querem dizer é que defendem a doutrina da presdestinação. Alguns vão mais longe e chegam a sustentar uma visão até insalubre e exacerbada que nem o próprio Calvino teria da salvação, a ponto de isentar a responsabilidade dos homens em cumprir sua parte, o “ide”, anunciado por Jesus.

Sou Calvinista. Mas não como estes que se gabam de defender uma doutrina da salvação (ou soteriológica). Ao se estudar Calvino, vemos que ele foi responsável pela reforma de toda a sociedade de Genebra e não é exagero dizer que a Suíça é o país desenvolvido que é hoje por causa desta reforma Calvinista.

João Calvino entendeu que Jesus dissera para “discipular as nações” e não somente almas. Antes de sua reforma, Genebra era tida como uma cidade caótica, desordeira e perigosa. Sua reforma penetrou nas esferas da Política, Ciência da Arte e Religião. Caso tenha interesse em saber mais deste Calvinismo, recomendo:o livro “Calvinismo – Abraham Kuyper”. É o calvinismo vivido por Wilian Carey, pai das missões modernas, que foi missionário na índia e não só evangelizou e traduziu bíblias, mas fundou universidades, uma gráfica e até uma sociedade de agricultura!

Como já disse, sou calvinista. Mas Calvinista no sentido de que o Reino de Deus não está limitado a quatro paredes de uma igreja. Ele penetra no coração das pessoas e se estende por todas as áreas da sociedade. Enquanto continuarmos a viver de forma que o Reino de Deus se limite somente aos finais de semana nos templos e reuniões, a sociedade continuará em direção a um colapso catastrófico.

Deus está no Haiti?

•27/01/2010 • Deixe um Comentário

Texto RT do blog do Gui Stutz

Desde a perspectiva científica, o terremoto tem uma dupla explicação. Por um lado, uma zona sísmica, sempre ameaçada por terremotos e maremotos, que acontecem com frequência. Por outro, que se praticou um desflorestamento em massa no país, que contrasta com a superfície da República Dominicana, a outra parte da ilha.

Além disso, deu-se uma sobre-exploração do solo, um esgotamento dos recursos naturais, em parte por empresas que foram pão para hoje e fome para amanhã, e uma forte explosão demográfica sob governos corruptos e ditatoriais, como os Duvalier, cujo herdeiro gasta hoje sua fortuna na França.
A reportagem é de Juan A. Estrada, publicada no Diario de Sevilla, 23-01-2010.

A tradução é de Vanessa Alves.
Quando o terremoto chegou, quase tudo veio abaixo, incluindo o centro histórico e as instalações estatais. Mas o bairro rico e moderno de Pétion Ville, em Porto Príncipe, mal sofreu danos. É uma ilha segura, sólida e livre de desastre natural.
A conclusão é evidente: com outra política e governo, outra distribuição da riqueza e outro tipo de construções teria se amortecido muito a violência da natureza no país mais pobre da América.
Antes de se perguntar por Deus – Por que permite isso? – é preciso perguntar ao homem como consentimos que tantos seres humanos vivam na miséria, indefesos perante a natureza? A tragédia do Haiti é sequência do tsunami da Indonésia e virão muitos mais, porque três quartos da humanidade vivem na pobreza, sem meios para controlar a natureza. Temos os recursos técnicos e materiais para reduzir ao mínimo estes desastres, mas a distribuição internacional da riqueza os invalida.

E onde está Deus? Seguimos esperando milagres divinos que mudem o curso da natureza; apelamos à Providência para que intervenha nas catástrofes naturais; rezamos e pedimos prodígios e sinais. E Deus guarda silêncio e não atua como esperamos. Não aprendemos da história. Não parou a cruz no Gólgota; não interveio para evitar Auschwitz; não é o Deus relojoeiro de Newton, que ajusta o relógio natural de vez em quando; não modifica as leis da criação, descobertas pela ciência.
O homem e o universo são obras de um criador que respeita a liberdade humana e o dinamismo da natureza. Se buscamos ao Deus milagreiro, sempre à escuta dos desejos do homem, busquemos em outra religião, não na do Deus crucificado. É inconcebível que os cristãos sigam esperando intervenções prodigiosas, como em tempos de Jesus, sem assumir a maioridade do homem e a autonomia do universo, cujas leis conhecemos melhor e cada vez mais.

Por outro lado, encontraremos Deus, se o buscamos identificando-se com as vítimas e chamando aos homens de boa vontade à solidariedade e a justiça; se esperamos que Deus nos inquiete, nos provoque e nos incite a colaborar de mil maneiras para mitigar a dor no Haiti; se achamos que Deus não é neutro e que o contraste entre o grande mundo pobre e a minoria de países ricos clama ao céu.
É preciso ajudar Deus para que se faça presente no Haiti, porque necessita dos homens para que chegue aí o progresso e a justiça. Os mortos e refugiados da catástrofe têm fome de justiça, a das bem-aventuranças, e Deus necessita de testemunhas suas para fazer-se presente.

Ninguém pode falar em nome das vítimas sem experimentar seus sofrimentos nem padecer sua forma de vida, só fazer-nos presentes a eles. O protagonismo corresponde ao ser humano: Deus é autor da história, logo inspira, motiva e envia para a solidariedade e a justiça. O Deus cristão não é a divindade grega que sente ciúmes do homem e castiga Prometeu, mas o que se orgulha da capacidade para gerar vida com a ciência e o progresso, só exigindo que os recursos naturais se ponham a serviço de todos.

É preciso agir como “se Deus não existisse” e tudo dependesse de nós, universalizar a solidariedade e mudar as estruturas internacionais que condenam povos inteiros à miséria. A partir daí podemos esperar tudo de Deus e pedir-lhe que fortaleça, inspire e motive os que lutam por um mundo mais justo e solidário.
Dentro de poucos meses, o Haiti será uma mera lembrança, exceto para os que seguem ali, e teremos esquecido, como a Indonésia ou os famintos da África subsaariana. A grande tragédia do século XXI é a de uma humanidade que tem recursos para acabar com a fome e mitigar as catástrofes naturais, mas prefere empregá-los em armamento, para defender-se dos pobres; em policiais, para evitar que cheguem em nossas ilhas de riqueza e nos esbanjamentos consumistas de uma minoria de países.

Do mal do Haiti somos todos responsáveis, e a solidariedade não pode ficar no acontecimento pontual, mesmo que seja necessária, mas exige outra forma de vida.

Texto veiculado na pg da Unisinos – Instituto Humanitas